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A Polícia Civil da 16ª Subdivisão Policial de Campo Mourão fechou ontem, no município de Roncador, um ferro velho clandestino que receptava carros roubados de várias cidades da região. O local fica na entrada da cidade. No pátio, que mais parecia um cemitério de carros inutilizáveis, estavam depositados mais de 100 veículos de diversas marcas e modelos, a maioria, segundo a polícia eram irregulares.
O que mais chamou a atenção foi a quantidade de motores e câmbios que estavam desmontados. Só motores, eram mais de sessenta e câmbios mais de cinquenta. Segundo o delegado chefe da 16ª SDP de Campo Mourão, José Aparecido Jacovós, a polícia já vinha investigando o caso há aproximadamente quinze dias após receber denúncia de que carros roubados na região estariam sendo levados para aquele ferro velho. “Conseguimos chegar até Roncador por um trabalho de investigação da Polícia Civil. Considerando que estava ocorrendo furto de veículos em Campo Mourão e na região de Maringá, obtivemos informação de que diversos veículos de marcas mais antigas estariam vindo para Roncador. Então resolvemos investigar e encontramos este desmanche clandestino”, explica o delegado. O proprietário do local foi preso e autuado em flagrante por receptação e adulteração de sinal identificador de veículo automotor. A pena varia de três a dez anos de prisão. O acusado já teve passagens pela polícia de Curitiba por porte ilegal de arma e receptação de produtos. Ele foi encaminhado para a delegacia de Campo Mourão. De acordo com Jacovós, o ferro velho não possui alvará da Polícia Civil e outras documentações necessárias para funcionamento. Segundo ele, os veículos e as peças também não dispõem de nota fiscal. “Obviamente uma empresa que não possui nenhuma documentação com esta quantidade de peças sem notas fiscais que comprovem a origem é irregular. Agora o proprietário terá de se explicar junto a justiça.” Jacovós acrescenta que somente a falta de alvará já seria suficiente para interditar o local, mas ao encontrarem as demais irregularidades prenderam o dono do estabelecimento e seus funcionários. No mega-desmanche, muitos veículos estavam adulterados. Entre as irregularidades encontradas estavam: veículos com o vidro onde vai a numeração do Chassi suprimido, veículos com numeração do chassi raspada ou suprimida. O delegado descarta que o acusado tenha alguma ligação direta com alguma quadrilha especializada em roubos de veículos na região. “Este é o tipo de sujeito que pode não ter ligação direta com uma quadrilha, mas ali é um local que se você chegasse para se desfazer de um carro, ele não perguntava por que você queria se desfazer simplesmente comprava sem saber se o veículo estava sendo procurado pela justiça ou estava em busca e apreensão”, afirma. Questionado se com o fechamento deste desmanche o roubo de veículos cairá na região, Jacovós preferiu não arriscar. Ele apenas disse que existem muitos receptadores. “Mas todos que estiverem na região [receptadores] serão presos e serão colocados na cadeia”, avisa. Nos próximos dias, a polícia fará um trabalho de perícia para determinar a origem dos veículos. “Agora os investigadores precisam saber qual veículo é ilícito e qual por ventura tenha sido adquirido de forma mais idônea. Apesar, que quem compra um automóvel e não tem nem documentação de origem é difícil afirmar se há idoneidade ou não.” Jacovós frisa ainda que pessoas que tiveram seu veículo roubado ou furtado podem procurar a polícia de Campo Mourão para saber se está ou não entre os que estão no ferro velho. “Ali são mais veículos antigos não é um desmanche de carros novos então se a pessoa teve um carro mais antigo roubado e quiser saber pode nos procurar para conferirmos dados que comprovem a propriedade do veículo.” “Eu nem sei o que está acontecendo”, diz acusado A reportagem conversou com proprietário do ferro velho, acusado por receptação de carros roubados. Ele afirma que quando chegou ao seu estabelecimento, por volta das 11 horas, já tinha notado a presença da polícia, mas não sabia o que estava acontecendo. “Eu nem sei o que está acontecendo, não compro veículos roubados”, defende-se. Ele mora em Roncador há cerca de quatro anos e diz que está há três como proprietário do ferro velho. Neste período afirma que sempre comprou carros com origem comprovada. “A maioria dos carros tem documentação a única coisa é que alguns estão com documentos atrasados”, explica. O acusado afirma que tem uma empresa aberta em seu nome e compra carros de leilões do Detran. “Vou procurar um advogado para saber o que está acontecendo. A polícia me disse que foi informada que eu tinha muitos veículos e que a maioria são roubados, isso não é verdade”, pondera, acrescentando que a maioria dos automóveis por ele comprados são de pessoas que o procuram. “Antes da compra procuro saber se o carro tem ou não queixa de furto. Eu moro aqui na cidade há mais de quatro anos e nunca fiz nada para ninguém, todo mudo gosta de mim”, completa. |